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Ano começa violento

Ano começa violento

A violência contra mulheres cresce em Goiânia. Três foram mortas desde a noite de quinta-feira.  Entre homens e mulheres, são 14 mortes na capital. Duas pessoas morrem por dia em Goiânia. Em média, janeiro de 2011 tem mais mulheres mortas por violência que o mesmo período do ano passado. Segundo números da Polícia Civil, nos 31 dias de janeiro de 2010 foram contabilizados três homicídios contra vítimas do sexo feminino. No ano passado, ao total foram 362 homicídios. O número chega a uma média de quase uma pessoa morta por dia, nos 365 dias do ano.

Um desses casos é o de Flávia Paes Landin, 32. Ela foi encontrada morta ontem por policiais. Flávia era amasiada com Junio Lopes Carneiro, 26. Segundo a Polícia Civil, os dois faziam uso de drogas. O corpo de Flávia estava dentro de uma cisterna na casa onde os dois moravam, na Rua BF 11A, no Bairro Feliz, em Goiânia. Ainda de acordo com a polícia, Junio assumiu a autoria do crime ao ser abordado por policiais na rua.

Os PMs faziam uma operação contra as drogas no setor, quando abordaram o jovem. O rapaz ficou nervoso e, ao ser feita a abordagem, perguntou aos militares se o iriam prender por ter matado Flávia. Mas os policiais, que ainda não tinham conhecimento do que se tratava, encaminharam o suspeito para a residência onde ele apontou estar o corpo de Flávia. Em uma cisterna desativada e cheia de lixo, estava a vítima, que foi estrangulada e posteriormente coberta com sacos de entulho e terra do próprio quintal.

A polícia informou que, com alucinações por conta das drogas, Junio cometeu o crime por que suspeitou que Flávia o traía. O autor foi encaminhado à Delegacia de Homicídios de Goiânia e será autuado em flagrante por homicídio. Flávia estaria grávida e deixou sete filhos.
Outro caso ocorreu na manhã de ontem, na Avenida Alves de Abreu, no Setor Vereda dos Buritis. Uma mulher, que segundo a polícia aparentava 30 anos, foi encontrada em um lote baldio. O terreno é usado para que as pessoas possam atravessar de um quarteirão a outro e foi um dos pedestres, não identificado, quem encontrou a vítima e chamou a polícia.
O corpo estava com vestimenta simples, bermuda jeans e blusa de cor clara, parcialmente rasgada. Na cabeça, um ferimento profundo, o que, segundo a polícia, pode ter ocasionado a morte. Cabelos pretos e cerca de 1,68m de altura. Próximo ao cadáver, várias ripas de madeira sujas de sangue. A polícia disse que podem ter sido usadas no crime.
O número de violência contra a mulher tem crescido de maneira substancial a cada dia em Goiânia. O silêncio das vítimas e das testemunhas que presenciaram a violência ainda atrasa o trabalho da polícia. Existem telefones que podem ajudar quem não quer se identificar a fazer denúncias anônimas, como o da Delegacia da Mulher (3201-2802) e o do Centro de Valorização da Mulher - Cevam (3524-9000).

Segundo dados da Delegacia Estadual da Mulher, em Goiânia são atendidas uma média de 40 mulheres por dia. Nestes primeiros dias de janeiro, 210 casos foram atendidos. De quatro mulheres que vão à delegacia, uma não leva as investigações até o fim, por arrependimento ou por medo de represália. Até ontem à noite, dez pessoas ocupavam a carceragem da delegacia. Por dia, de duas a três pessoas são presas por cometerem violência contra mulheres.

NACIONAL


Segundo o Mapa da Violência (MV) 2010, realizado pelo Instituto Sangari, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, o que faz do País o 12° no ranking mundial de assassinatos de mulheres. 40% dessas mulheres têm entre 18 e 30 anos. A maioria das vítimas é morta por parentes, maridos, namorados, ex-companheiros ou homens que foram rejeitados por elas.

Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas. Segundo o MV 2010, o estudo dos homicídios foi feito com base nos dados do SUS. A média brasileira é de 3,9 mortes por 100 mil habitantes e o Estado mais violento para as mulheres é o Espírito Santo, com um índice de 10,3 mortes. Dados do Disque-Denúncia, do governo federal, mostram que a violência ocorre na frente dos filhos: 68% assistem às agressões e 15% sofrem violência física junto com as mães. A violência contra a mulher é a maior preocupação para 56% das mulheres entrevistadas pela pesquisa realizada pelo Ibope e Instituto Avon, em 2009. A mesma pesquisa aponta que 55% dos entrevistados conhecem pelo menos um caso de violência doméstica.

Segundo pesquisa realizada pela Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal, em 2005, 54% das mulheres entrevistadas acreditavam que as leis existentes no Brasil protegem as mulheres da violência doméstica. Na mesma pesquisa, 40% das entrevistadas declararam já ter presenciado algum ato de violência contra mulheres e 17% afirmaram já ter sofrido violência, sendo que, dessas, 55% sofreram violência física, 24% violência psicológica, 14% violência moral e 7% violência sexual.
Entre as mulheres agredidas, 71% foram vítimas mais de uma vez e 50% quatro vezes ou mais, segundo a mesma pesquisa. O marido ou companheiro é responsável por 65% das agressões.

Jairo Menezes
DA EDITORIA DE CIDADES

DIÁRIO DA MANHA


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